Qual é o melhor método antropométrico?

Bem, o melhor método de avaliar a composição corporal seria por via da dissecação, entretanto não podemos fazer isso por razões óbvias, não é? Então o que nos resta são outros métodos que possuem algumas limitações. E o melhor método antropométrico será aquele que você conseguir controlar as limitações. Então vamos conhecer um pouco mais das ferramentas que estão mais acessíveis ao nosso atendimento nutricional e ver qual o melhor para a gente.

Bioimpedância

Começaremos a falar da análise de impedância bioelétrica (BIA ou AIB) que usa um equipamento que emite uma corrente elétrica, geralmente com frequência de 50kHz e baixa amplitude (800 µA), para o seu corpo e a medida que essa corrente elétrica vai passando por ele vai sofrendo impedância (resistência e reactância), uma espécie de retardo desse fluxo. Essa corrente elétrica é altamente depende de íons que estão diluídos em fluidos corporais no meio intra e extracelular.

Nossa massa magra é rica tanto em água quanto eletrólitos, assim a corrente elétrica quando passa por ela é facilitada a sua passagem. Mas, o tecido adiposo, tecido ósseo e espaços ocos são locais com pouca água em comparação a massa magra, o que dificulta a passagem dessa corrente.

Assim, a bioimpedância irá determinar o valor dessa impedância e estimar os componentes corporais a partir de equações preditivas que são ajustadas para populações específicas respeitando sexo, etnia, massa corporal, altura, idade, nível de atividade física.

Dessa forma, nós temos duas coisas para se atentar: 1) o estado de hidratação do paciente influenciará a passagem da corrente elétrica, logo alguns pré-requisitos são necessários para o controle da hidratação, como: fazer jejum 4h antes do teste; não consumir bebida alcóolica no dia do teste; evitar alimentos ricos em cafeína dois dias antes do teste; não fazer sauna no dia da avaliação; não realizar atividade física no dia do teste; Retirar todos os adornos metálicos (brincos, pulseiras, relógio, colar…); urinar e evacuar antes do teste; não estar no período menstrual; se manter em uma posição deitada 5 a 10 minutos antes do teste. Muita coisa, não é? Veja que muito dessas coisas são dependentes da disciplina do nosso paciente em fazer ou não.

2) Muitos equipamentos de bioimpedância não nos informam qual a equação preditiva está programada naquele equipamento, assim não temos noção do estudo original que produziu aquela equação, as características da população estudada para ver se é semelhante a população que eu estou aplicando aquela técnica ou se existem estudos de validação em outras populações.

Limitações e custo

Qual o problema de aplicar uma equação em um paciente que é diferente das características originais do estudo? Porque você pode ter qualquer resultado e isso vai acabar sendo um problema para a sua prescrição nutricional.

Caso o equipamento forneça os valores da impedância à parte, você pode pegar esses valores e encontrar na literatura científica uma equação que mais se assemelhe ao seu paciente.

Assim, a BIA é uma excelente ferramenta para a análise da composição corporal, mas o nutricionista precisa controlar esses dois fatores.

Em relação ao custo do produto, existem bioimpedâncias que custam desde 150 reais até 70 mil reais. Mas lembre-se, nem sempre o equipamento mais caro que é o melhor. Analisem nos equipamentos o que vocês acabaram de ler aqui para não ter apenas um objeto decorativo no seu consultório.

Adipometria

Um outro método para avaliar a composição corporal é a antropometria que utiliza técnicas mistas de dobras cutâneas, perimetrias e diâmetros ósseos para avaliar os componentes corporais.

A antropometria depende de técnica, você precisa avaliar o paciente da mesma forma sempre, por isso a proficiência é necessária. Você acha que aprendeu o suficiente para execução da técnica? Se sim, ótimo. Mas se não, avalie pelo menos 75 pessoas para começar a ganhar experiência. Lembre-se que a técnica é dificultada quando trabalhamos com obesos e com idosos pelo excesso de gordura e pele, respectivamente. O que demanda um cuidado especial.

Após obter os resultados de algumas dobras cutâneas, perimetrias, massa corporal… temos dois caminhos a escolher: 1) pegar esses valores e colocar em equações preditivas para obter o resultado da porcentagem da gordura corporal e massa magra. Possivelmente você já deva ter ouvido falar nas equações de Jackson & Pollock; Durnin & Womersley; Guedes; Petroski… esbarramos no mesmo problema do item 2 da bioimpedância: usar essas equações no nosso paciente e não respeitar características como etnia, sexo, nível de atividade física, adipômetro usado pelo autor, idade… pode resultar em um valor muito diferente do que corresponde à realidade. Portanto, achar uma equação que foi validada para a população que você atende é muito difícil.

Assim, acredito eu, ser mais prudente usarmos a segunda opção, caso você utilize a antropometria, que é: 2) utilizar os valores das medidas e comparar com elas mesmas. Exemplo: avaliou a perimetria do braço relaxado e deu 32 cm no mês passado e esse mês deu 28 cm, qual o resultado? Perda de 4 cm na perimetria do braço relaxado. Ponto.

Podemos usar, para as dobras cutâneas, somatório de dobras centrais (subescapular, abdominal, supra espinhal, crista ilíaca) e periféricas (bíceps, tríceps, coxa e panturrilha) e da mesma forma compará-la com o passar do tempo. Somatório de dobras centrais aumentadas é sinal de risco para doenças cardiovascular.

Ultrassom

Uma outra ferramenta para avaliar a composição corporal que está invadindo os consultórios atualmente, apesar do preço salgado em comparação aos outros métodos, é o ultrassom. A técnica do ultrassom tem ótimas vantagens: é portátil, não depende do estado de hidratação do paciente, fácil utilização em obesos e idosos, usa imagens como resultado e avalia a espessura do tecido adiposo subcutâneo e visceral e a musculatura esquelética. Apesar da técnica da realização ser fácil, interpretar as imagens geradas pode ser um desafio para quem não tem o costume, por isso realizar curso de interpretação de imagens de ultrassom (que as vezes o próprio equipamento fornece) é necessário.

A utilização da espessura do tecido muscular esquelético e gordura subcutânea para comparação posterior é o mesmo princípio do que eu falei sobre o item 2 da antropometria e pode ser muito interessante o acompanhamento do paciente dessa forma.

Mas, o que as pessoas querem é a famosa porcentagem de gordura corporal. O ultrassom fornece isso? Sim, mas utiliza equações da antropometria para ter esse resultado. O que parece ser bem errado já que as equações utilizaram dobras cutâneas usando um adipômetro que é bem diferente da espessura do tecido obtida por um ultrassom. Mas para contornar esses problemas a literatura científica vem trazendo estudos de validação para checar se é válido a utilização dessas equações para certas populações, para algumas populações vem sendo válidos e para outras não. O problema é que estudos para a população brasileira são escassos. Assim a utilização dessas equações antropométricas em equipamentos de ultrassom para se obter a composição corporal pode ser um verdadeiro tiro no pé e comprometer a sua prescrição nutricional.

Conclusão

Em resumo, não existe um melhor de avaliar a composição corporal. Dito as vantagens e limitações de cada método, cabe a você decidir onde você consegue ser melhor, diminuindo as chances de erros na avaliação e ter um resultado mais próximo da realidade.

Gostou das nossas dicas? Se tiver dúvidas e sugestões, entre em contato conosco. Compartilhe com seus colegas e desfrute da EasyDiet, o melhor software de atendimento nutricional do mercado!

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Autor do texto: Rodrigo Rüegg

Leitura complementar:

Eickemberg M,Oliveira CC , Roriz AKC, Sampaio LR. Bioelectric impedance analysis and its use for nutritional assessments. Rev.Nutr., (Campinas),2011 nov./dez.24(6):883-893.

Costa, Roberto Fernandes da, Gomes, Rodrigo Vitasovic, Lima Ribeiro, Sandra Maria, Veibig, Renata Furlan, & Aoki, Marcelo Saldanha. (2010). Equações preditivas de gordura corporal: saber escolher é fundamental. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, 16(5), 393-394.

Neves, Eduardo Borba, Ripka, Wagner Luis, Ulbricht, Leandra, & Stadnik, Adriana Maria Wan. (2013). Comparação do percentual de gordura obtido por bioimpedância, ultrassom e dobras cutâneas em adultos jovens. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, 19(5), 323-327


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